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Roberto Cidade alerta para impactos da estiagem no Amazonas e prevê 600 mil pessoas isoladas a partir de agosto

O governador Roberto Cidade se reuniu na manhã desta quarta-feira (17) com o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos para intensificar o monitoramento e as ações de preparação para o período de estiagem severa previsto para este ano no Amazonas. Durante o encontro, o chefe do Executivo estadual comentou sobre os desafios que o processo eleitoral pode trazer para as medidas de mitigação dos efeitos da seca.

“Eu não acho, tenho certeza que a questão política vai prejudicar. Já estão fazendo de tudo para prejudicar. É natural o processo, mas quando você é senador ou deputado federal, você tem que pensar no seu estado. E no nosso estado hoje, estamos num processo eleitoral e as pessoas estão querendo nos prejudicar no que quer que seja”, afirmou.

Mesmo diante do cenário político, Cidade destacou que buscará diálogo com todas as esferas para garantir recursos destinados ao enfrentamento da estiagem.

“Eu vou conversar com quem quer que seja para defender o nosso estado, para buscar recursos para o nosso estado, para que a gente possa se organizar e gastar no que é prioridade”, declarou.

Previsão de isolamento de 600 mil pessoas

De acordo com o governador, a previsão é que a estiagem de 2026 tenha características semelhantes à registrada em 2023, considerada a segunda mais severa da história do Amazonas.

A estimativa aponta que, a partir de agosto, 19 municípios localizados nas calhas dos rios Madeira, Purus e Juruá serão os mais afetados pela vazante dos rios. O fenômeno deve se prolongar até dezembro e pode deixar aproximadamente 600 mil pessoas isoladas.

“Então nós vamos ter, a partir do mês de agosto, 600 mil pessoas isoladas que vão precisar de apoio de combustível, que vão precisar de apoio de insumos para poder se alimentar, que vão precisar de apoio de água potável, que vão precisar ter o apoio de todos”, disse.

Segundo Cidade, a preparação antecipada é fundamental para reduzir os impactos sobre a população.

“Em reuniões como essas, a gente pode nos preparar para minimizar o sofrimento da nossa população. Reunimos aqui para que a gente possa buscar apoio do governo federal, apoio dos governos internacionais, porque é um efeito climático que vai acontecer no mundo todo”, destacou.

Governo vai realizar reuniões com prefeitos

Durante o encontro, ficou definido que novas reuniões serão realizadas com prefeitos e secretários municipais das cidades que devem ser mais afetadas pela estiagem.

“Primeiro, vamos ter uma reunião com os secretários municipais, junto com o nosso secretário da Defesa Civil, e também nós vamos buscar fazer um levantamento do que é possível para atender eles”, explicou.

O governador informou que ainda não há estimativa oficial dos recursos necessários para as ações de enfrentamento da emergência climática.

“Sobre os recursos, naturalmente nós temos os dados do ano passado, mas a gente não pode falar agora em valores porque a gente não tem esse levantamento de tudo. Então, nós vamos fazer esse levantamento e vamos conversar porque na época de 2023 o valor da cesta básica era um, hoje, em 2026, o valor já é outro”, ponderou.

Estado de emergência climática

Roberto Cidade também comentou sobre o decreto de emergência climática no Amazonas, válido por 120 dias e com possibilidade de prorrogação.

“Quero também ressaltar que não só foi o estado do Amazonas que baixou o decreto climático, outros estados também como o estado de Santa Catarina fizeram o mesmo. A gente está baixando esse decreto para que possa ter o apoio de quem possa ajudar o estado do Amazonas. No ano passado o apoio do governo federal foi muito pouco, quase nada”, afirmou.

O governo estadual segue monitorando os indicadores climáticos e reforçando o planejamento para minimizar os impactos da estiagem severa que deve atingir milhares de famílias amazonenses nos próximos meses.

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