Operação La Máquina: Gaeco mira suspeitos de usar aviões para transportar drogas no Amazonas
Manaus (AM) — Uma estrutura suspeita de utilizar aeronaves para transportar drogas a partir do Amazonas para outras regiões do país é alvo da Operação La Máquina, deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Polícia Federal.
Segundo as investigações, o grupo teria criado uma estrutura logística para facilitar o transporte dos entorpecentes, utilizando aviões de pequeno porte, pilotos, pistas clandestinas e locais de apoio em áreas isoladas.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta que a organização possuía diferentes pessoas responsáveis por etapas específicas da operação. Entre as funções estariam o financiamento das atividades, contratação de pilotos, manutenção e abastecimento das aeronaves, além do transporte e distribuição das drogas.
Os aviões seriam utilizados para retirar os carregamentos de áreas da Amazônia e levá-los para outras partes do país. Para complementar a logística, o grupo também teria utilizado rotas fluviais e terrestres.
As autoridades identificaram ainda indícios de adulteração na identificação de uma aeronave, o que poderia dificultar o rastreamento e a fiscalização.
Pistas clandestinas eram usadas como apoio
A estrutura investigada também contava com pistas clandestinas em áreas de difícil acesso.
Durante a operação, a Justiça autorizou a destruição de duas pistas clandestinas, localizadas nos municípios de Tefé e Presidente Figueiredo.
Os locais eram apontados como pontos utilizados para dar suporte à movimentação das aeronaves relacionadas ao esquema.
A investigação também apura ocorrências envolvendo aeronaves que teriam ligação com o grupo, incluindo uma interceptação na região de Tefé e o desaparecimento de outra aeronave próximo à fronteira com a Venezuela.
Investigação também chegou ao dinheiro
Além da logística do tráfico, os investigadores passaram a acompanhar a movimentação financeira dos suspeitos.
Segundo a investigação, pessoas físicas e empresas relacionadas ao grupo teriam movimentado mais de R$ 35 milhões.
Os valores teriam circulado por meio de empresas, transferências e pessoas interpostas, em uma estrutura que, segundo as autoridades, teria como objetivo dificultar a identificação da origem do dinheiro.
Parte dos recursos teria sido utilizada na aquisição de patrimônio.

Milhões foram bloqueados
Como parte das medidas determinadas pela Justiça, aproximadamente R$ 7,7 milhões foram bloqueados.
Também foram determinadas medidas de sequestro de bens, incluindo 31 veículos e dois centros comerciais em Manaus.
A estratégia busca atingir a estrutura financeira da organização e impedir que os recursos supostamente ligados às atividades criminosas continuem sendo utilizados.

Operação ocorreu em oito estados
A Operação La Máquina cumpriu 43 mandados judiciais em oito estados brasileiros.
As ações ocorreram no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.
Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva, quatro medidas cautelares e 26 mandados de busca e apreensão.
Mais de 100 agentes participaram da operação.
As investigações continuam para identificar outros integrantes e esclarecer toda a estrutura utilizada para o transporte das drogas e a movimentação dos recursos.



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