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Saullo Vianna critica operação da PF, mas já foi preso e alvo de investigações

Manaus (AM) — O deputado federal Saullo Vianna (MDB) adotou um discurso de cobrança sobre responsabilidade com o dinheiro público ao comentar uma recente operação da Polícia Federal no Amazonas. A declaração, porém, ganha outro contexto diante do histórico do próprio parlamentar, que já foi preso pela PF e também foi alvo de outras operações.

Durante agenda política em Itacoatiara, Saullo afirmou que os valores investigados representam recursos da população.

“Essa operação da Polícia Federal que aconteceu essa semana, que afastou o prefeito, que envolveu o deputado federal, que mandou um milhão em dinheiro pra Brasília, com três empresários, é o teu dinheiro que tá lá. É o dinheiro do povo que tá fatiado que tá lá”, declarou.

A fala ocorre enquanto o deputado carrega episódios anteriores envolvendo investigações sobre possíveis irregularidades em casos relacionados a recursos e contratos públicos.

Prisão pela Polícia Federal

Em dezembro de 2018, poucos meses após ser eleito deputado estadual, Saullo foi preso temporariamente pela Polícia Federal durante uma investigação que apurava suspeitas de corrupção, associação criminosa e violação de sigilo funcional.

Ele chegou a ser encaminhado para uma unidade prisional em Manaus. Posteriormente, a Justiça Eleitoral anulou provas obtidas durante o procedimento e determinou o arquivamento dos inquéritos relacionados ao caso.

Novas operações

Em novembro de 2020, Saullo voltou a ser alvo da Polícia Federal durante a Operação Ponto de Parada, que investigava suspeitas de irregularidades em uma licitação de transporte escolar em Presidente Figueiredo. O deputado foi alvo de busca e apreensão.

Na mesma operação, seu pai, Sérgio Vianna, foi preso temporariamente. As investigações apuravam suspeitas de fraude em licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

No ano seguinte, em fevereiro de 2021, Saullo também apareceu entre os alvos da Operação Cachoeira Limpa, do Ministério Público do Amazonas. A investigação apurava possíveis fraudes em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos públicos em Presidente Figueiredo.

O MP chegou a solicitar a prisão e o afastamento do parlamentar, mas os pedidos foram negados pela Justiça. Saullo foi alvo de busca e apreensão.

Discurso atual e histórico político

O contraste está justamente na forma como o deputado utiliza atualmente operações policiais para cobrar responsabilidade de outros agentes públicos.

Saullo afirma que recursos públicos investigados pertencem à população. Ao mesmo tempo, sua própria trajetória política inclui uma prisão temporária, mandados de busca e apreensão e investigações relacionadas a suspeitas envolvendo contratos públicos.

É importante destacar que ser investigado ou alvo de uma operação não significa condenação. No caso de 2018, por exemplo, houve anulação de provas e arquivamento dos inquéritos.

Ainda assim, os episódios fazem parte do histórico público do parlamentar e ajudam a contextualizar suas recentes declarações sobre transparência, fiscalização e responsabilidade com o dinheiro público.

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